Carminho. 24 anos. Fadista. Primeiro álbum.
Estou inexplicavelmente deslumbrada com tudo quanto tenho descoberto.
Tudo quanto
leio
ouço
e sinto...
A voz é poderosa e cheia de pózinhos de tudo quanto o Fado representa.
Mais ainda... ela revela-nos um Fado
Forte mas fresco.
Profundo mas leve.
Vale a pena ouvir a "Voltar a Ser" e dar por mim, entusiasta, a acompanhá-la de peito cheio.
Venho com um atraso de um mês, altura em que a encontrei a tertuliar com o José Fialho Gouveia no Bairro Alto.

Estou deliciada e quero que saibam.
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Vamos todos ter coragem de ser.
Ser sem ter de buscar em coisas, motivos que camuflem o que não temos, o que não demos..
Tentemos ser por nós mesmos o que vemos por utópico.
Nós somos tudo quando parte de dentro.
Vontade.
Garra.
A gana de abrir bem os olhos, levantar bem a cabeça e, ainda assim... sonhar.
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Quando os cheiros nos devolvem
pessoas
retratos
instantes.
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Como é difícil crescer em nós uma sensibilidade ímpar, capaz de colocar para trás das costas a ambição do ter.
É difícil lutar pela fuga do que é material para escolhermos o que realmente nos faz feliz.
Mas ainda há quem, na simplicidade do seu ser, o consiga!
A vontade de não ser o que se entende por melhor ao nosso redor, deixa de ser difícil quando conseguimos ver, claramente, o que realmente importa.
Dentro de um mundo cheio de nada, há quem nunca se desligue da genuinidade das coisas.

Fernando Pessoa, pintura de Júlio Pomar
Encontrei-me com Júlio Pomar na Câmara Clara numa daquelas vezes em que nada satisfaz.
Permaneci ali para ligar pontas soltas e para registar um rosto.

Como é grande a sabedoria das palavras de quem viveu da arte toda uma vida...
Pintando, ilustrando, escrevendo.

É nestes pedaços que a minha sensibilidade me cobra por um conhecimento que não tenho.
Mas a virtude está em não fecharmos portas.
Deixando entrar todos os dias o que nos falta!

E partir numa procura sem fim. Querendo tudo.

Sonhamos fragmentos de memória que o nosso inconsciente se encarrega de transformar em guião incoerente.

Angústia
Dor
Felicidade
Utopia

Sonhamos pedaços de tudo e de nada.
Porque o Mestre do Sonho, que é astuto, vai fazer passar o slide quando tudo o que queremos é dormir.
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Absolutamente imperdível!
Foram minutos de autêntico prazer... de descoberta plena onde jurei fidelidade eterna!

No meu campo de visão estava ela, a cor do violoncelo, a presença do saxofone e o negro do piano.
Flutuei...

@CCC Caldas da Rainha, 23 Abril 09