Eis senão quando surge a oportunidade de, em duas semanas e picos, estabelecer uma relação de amor/ódio com um collant «à venda na sua farmácia».
«Este é um produto com efeitos terapêuticos para quem sofre de mazelas no pernil blá blá blá».
GPS a postos – «o seu plano de viagem está a ser calculado» – e lá ia eu sem saber para onde… à mercê do meu novo amigo de voz grossa e charmosa.
Depois era só subir ao palanque e com altifalante em punho fazer o que sei de pior:
- «Olhó collant bom e fresquinho!
Vá lá mulherada que ainda leva brinde!»
Ao longo destes dias ganhei inimizades, olhares travessos e sorrisos de esguelha do tipo «já gastei o pilim todo este mês… pela tua saudinha deixa-te estar aí quietinha…»
Intimidante, não é?
O importante é que sobrevivi e fui aprendendo umas quantas coisas sobre qual a melhor maneira de "acartar" um expositor sem riscar os muy nobre pisos dos centros comerciais ou então… como não deixar o carro ir abaixo em pleno pára-arranca da A5.
Enfim… o tipo de coisas oportunamente importantes para o meu ainda jovem percurso profissional.
A minha cidade passou a ser cinzenta.E é quanto mais se mostra, e como se mostra, que se apaga, que se esvanece.
As fachadas que eu tanto amo foram esquecidas pelos olhos dos que deixaram há muito de percorrer o caminho de encontro ao céu.
Vejo cores nela… Vejo o valor que já todos esqueceram mas que teimam em dizer conhecer.
Gosto dela nas coisas mais pequenas.
O que é novo engole o velho. O que era bonito é hoje um esqueleto do que foi.
O verde.
O espaço.
A flor.
Hoje sigo com o abraço àquela que me viu nascer.
Faço-o com tristeza e persistência. Mas não desisto de gostar.
Sigo animada porque o contrário não me ajuda nem me mostra caminho algum.
O frio tem feito com que o tom da minha pele se altere e que a energia que o sol oferecia tenha diminuído mas, mesmo assim, ainda vejo outros canais, outros trilhos.
Aproveito para organizar as minhas coisas. Faço do que me rodeia um arquivo a consultar.
A música serve-me de companhia e as folhas de papel compactadas e completas de frases, parágrafos e pontos de exclamação também.
“I've always been up and down
Never wanted to hit the ground
(…)
Catch the sun, before it's gone
Here it comes, up in smoke and gone
Catch the sun, it never comes
Cry in the sand, lost in the fire”
Ganhei gosto em tecer, qual Penélope… mas eu prefiro o cachecol à colcha! [lol]
Também me tenho posto a par das burocracias do dia-a-dia daqueles que já não montam Legos nem vagueiam sentados com a palma da mão sob o queixo “atentos” ao conhecimento (?) que alguém lhes transmite.
O melhor de tudo é a cumplicidade que se vai ganhando e conquistando connosco próprios.
Serenos e sem pressas.
Porque a existência de cada um é um sopro, dois talvez.
Estou sem graça.
Lenta nos gestos. Sem carvão e sem fogueira.
Mas a ferver nos compassos do corpo.
Queria continuar a minha viagem na roda gigante.
Essa que agora parou.
Mas que me deixa ver tudo desde cá de cima, a uma altura que me dá tempo e espaço para decifrar tudo o que me tem passado ao lado enquanto a roda girava. E girava.
E é isso que sou.
[Autoria: Chema] *com som ~ agora sim completo!
Este vídeo consegue mostrar o quão feliz fui durante cinco meses.
Etiquetas: Erasmus
A Madeira estava já desenhada. Em papel branco e a carvão.
O registo era forte e definido.
Aprendi, deixei mais uns quantos pós e voltei outra vez com o peito cheio e de sorriso no rosto.
Sabe a doce quando vamos conseguindo pendurar os quadros que pintamos.
Etiquetas: Estágio Madeira
